Os efeitos da cheia em debate
Faltou espaço para tantas pessoas interessadas no painel promovido pelos integrantes do Núcleo Para Revisão do Plano Diretor na noite de ontem (8), no Centro Empresarial, Social e Cultural de Brusque. A iniciativa teve por objetivo discutir os problemas causados pela cheia no município, suas causas e as conseqüências.
O geólogo Juarez Aumond traçou um panorama sobre as condições de transformação do solo através dos anos, reiterando que boa parte dos problemas ocorridos se deve às ocupações irregulares nas encostas e morros. "Temos que sentar com a sociedade, tanto o poder Executivo quanto o Legislativo, e até mesmo o Judiciário, para definir novas normas de ocupação do espaço territorial brusquense", destacou.
Na avaliação dele, toda a situação de deslizamentos que tomou conta do Estado poderá se repetir num futuro não muito distante, se medidas consistentes não forem adotadas imediatamente. Aumond disse ainda que o Continente Americano está se deslocando na direção do Oceano Pacífico, cerca de quatro centímetros por ano. "Vocês podem até achar que não é muito, mas já nos afastamos 6 mil quilômetros do Continente africano e continuamos seguindo", enfatizou o geólogo.
O evento contou com a participação de engenheiros, representantes da futura administração, empresários e estudantes. O presidente do Clube de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Brusque (Ceab), Cristiano Fuck, reforçou o discurso sobre a necessidade de atuações técnicas no que diz respeito à infra-estrutura do município.
Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Brusque (AciBr), Aliomar Luciano dos Santos, não poupou críticas à atual administração municipal, principalmente quanto à forma como a obra da beira Rio foi desenvolvida. Segundo ele, as críticas não são à finalidade do canal extravasor, o qual reconhece ter feito sua parte no escoamento à água, mas, sim, sobre o destino que foi dado ao projeto original da obra. Outro ponto destacado por ele diz respeito às maneiras como algumas regiões da cidade foram ocupadas ao longo dos anos. "O que foi importado para cá foram títulos de eleitor e não mão-de-obra. Daí todo mundo foi parar nos morros. Mas, a partir de janeiro, a Lei Áurea volta a valer novamente nesta cidade", alfinetou.


